Só sinto pena.
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2012-05-26
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2012-05-24
(via montauk-sunshine)
Source : war-of-colors
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2012-05-10
(via montauk-sunshine)
Source : fuckyoutoocunt
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2012-05-07
Ela quer viver sozinha. Ter a própria cozinha, a própria louça suja, sem ninguém sequer ousar tocar. Ela quer não precisar pagar pelos danos. Ela quer não precisar se preocupar com a roupa no varal dos outros, na janela do quarto aberta dos outros. Ela quer poder estar no seu quarto e acender um cigarro sem que venham encher o saco dela por causa do cheiro da fumaça. Ela nem fuma mais, mas queria ter essa liberdade de qualquer forma, quando ela quiser, do jeito que ela quiser. Ela quer poder varrer o chão e ver ele sujando na medida que ela, só ela caminha pelo piso, ou quando o gato caminha, ou quando um convidado caminha por ali, sem a preocupação de que essa é a casa dele e de que ele vai emputecer se ela não levar o lixo de novo pra fora. Ela só quer distância, e ao mesmo tempo que quer distância, quer estar com as pessoas. Ela não quer comprometimento, e sim companhia. Ela não quer dever pros e sim receber os outros. Ela quer ter a janela com a cortina dela, a sala com o tapete dela, com o sofá quebrado dela, e um puff no meio. Ela quer ter a cozinha pequena dela, a geladeira com as comidas só dela, a água só dela, que ela pode dividir com os outros, o biscoito que ela também pode dividir com os outros. Ela quer poder fazer jantares barulhentos, com música, porque isso falta na vida dela. Ela quer poder abandonar a casa por um mês e quando voltar ver que está tudo lá, intacto, o pão só mais velho, um vaso de flor que o gato possa ter derrubado. Ela quer o canto dela, com os amigos dela, com as músicas dela e as velas aromáticas que ela sempre quis.
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Ela se percebia, meio que sonolenta pra vida, que sentia vontade de comer alguma coisa. Ela nunca sentia fome, comia porque era preciso, duas vezes ao dia. Mas em um dia, nesse momento, ela sentiu vontade de comer. Não sabendo o que, foi procurar pelos armários da cozinha. Revirou pacotes de bolacha, macarrão, arroz, todos fechados, empoeirados no fundo do armário como se realmente tivessem sido esquecidos lá. Ela voltou a revirar, abriu outra porta; caixas de chás, temperos, pimenta, sal, açúcar mascavo, baunilha, canela, coentro em pó. Nada disso era o que ela queria. Abriu a geladeira e viu um pedaço de queijo, uma garrafa de leite pela metade e uma couve-flor velha, nada que ela sentisse vontade, nada a apetecia. Sabendo que não estava ali o que desejava, resolveu buscar fora de casa; vestiu seus sapatos e saiu pela porta com fome, salivando por algo que não sabia o que era. Andou por algumas ruas sentindo cheiro de pão francês. Pão francês a fazia lembrar sua mãe, com geléia, sua mãe sempre comia pão francês com geléia, enquanto ela comia o pão e deixava toda a casca no prato. Ela lembra que sua mãe sempre trazia essas coisas pra ela por volta daquele mesmo horário, seis da tarde, com chuva ou sol, sempre trazia pão, geléia, bolo de laranja e uma jarra de leite para o café. A sua geléia favorita era de pêssego, era bem específica. Tinha que ser pêssego. E enquanto passava o conteúdo pastoso no pão, sua filha a olhava e pensava no quanto aquilo era maduro, e em como gostaria de ser como ela quando crescer, uma mulher que passa geléia no pão sem pensar em como esse prazer pode ser uma inspiração para alguém menor. Para ela, podia ser a resposta, para a garota que agora corria por aí em busca do mesmo pão com geléia. Entrou em uma cafeteria que conhecia e sentou na mesa, cansada, a testa úmida, os olhos buscando uma garçonete.
- Quero um pão com geléia.
- Qual o sabor da geléia?
- Pêssego.
- Não temos.
E então morreu de fome naquele momento. Naquele momento, em que a busca foi o fracasso, que a imagem da geléia laranja de repente dissolveu da sua imaginação como um ideal inalcançável; teve vontade de chorar, pois era a única coisa que queria naquele momento e não pode ter. A única lembrança vivenciável que teve de sua mãe com um pote de geléia e não pode vivê-la mais. A geléia, a mãe, o pão, tudo ela queria que fosse a merda. Saiu da cafeteria, voltou pra casa, deitou-se e dormiu.
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Uma certeza que eu tenho é a de saber que eu não quero estar aqui nessa cidade, morando nela, sendo engolida pelos carros, pela fumaça que entra pela janela do meu quarto minúsculo. É um quarto minúsculo, mas é meu quarto. Eu sentia saudades dele. Se ele estivesse em outro lugar, em um prédio em outra cidade ele continuaria sendo o meu refúgio, ele sempre foi, sempre será, um refúgio dessa cidade, desse lugar que me causa ódio. Eu não sei o motivo, mas essa cidade me causa muito ódio, muita raiva. Não sinto vontade de fazer coisa alguma por aqui. Eu estou enraizada em outro lugar ainda. Fortemente enraizada. Emocionalmente também e isso eu ainda não consegui superar. Eu sinto saudade. Esse é o meu problema.
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2012-05-04
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Source : dasoravida
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(via runningfromhell)
Source : thedailymeme
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2012-05-02
(via montauk-sunshine)
Source : watchingdisneychannel


